O que mais pode ser feito no hipotireoidismo?

Quem tem o diagnóstico de hipotireoidismo já recebe a notícia de que terá de fazer a reposição do hormônio da tireoide para o resto da vida.  Geralmente, a conduta médica nesses casos resume-se em repor um dos hormônios produzidos pela tireoide, a levotiroxina (Puran T4®, Syntroid®, Eutirox®).

Geralmente, o paciente com hipotireoidismo apresenta como principais sintomas fadiga, sonolência, ganho de peso, acúmulo de líquidos,  queda de cabelo, pele ressecada, unhas fracas, irregularidade menstrual, constipação e intolerância ao frio.   Casos mais graves podem desencadear alterações cardíacas, como bradicardia e arritmias.

Mas, como funciona o hipotireoidismo?

Nenhuma glândula faz nada sozinha. Elas são reguladas pelo cérebro, por meio de um eixo endócrino chamado hipotálamo – hipófise – glândula endócrina. Nesse caso, a glândula é a tireoide. O cérebro, mais especificamente a região do hipotálamo e da hipófise, regula a necessidade do hormônio tireoidiano, sem o qual o corpo não funciona direito. Quando é identificada uma necessidade de aumento da produção de hormônio, a hipófise libera o TSH, hormônio que dá o comando para que a tireoide faça seu trabalho. Caso a tireoide não responda ao estimulo de doses baixas de TSH, a hipófise libera mais TSH, aumentando assim os níveis no sangue, interpretamos isso como se a tireoide não estivesse suprindo a demanda do corpo pelo hormônio. O TSH aumentado (acima de 5 para a maioria das referências) é a confirmação laboratorial do hipotireoidismo. Contudo, tem pessoas que apresentam sintomas de hipotireoidismo mesmo com o TSH dentro das referências laboratoriais. Isso é chamado de hipotireoidismo subclínico e pode, com o tempo evoluir para um hipotireoidismo confirmado pelo exame laboratorial.

Mas afinal, o que está acontecendo com o corpo quando mensuramos o TSH aumentado?

A tireoide está associada a outra glândula, a adrenal. Embora esta seja um pouco esquecida pela Medicina, disfunções nas adrenais estão intimamente ligadas ao adoecimento da tireoide, e a explicação é simples: enquanto a adrenal responde ao estresse físico (cirurgias, doenças, gestação) e psicológico (o estresse do dia-a-dia e eventos traumáticos), é a tireoide quem mantém o metabolismo corporal para qualquer situação. Ou seja, em situações de estresse será também exigido mais da tireoide.

Em alguns casos, pode haver lesão estrutural da glândula, ocasionada principalmente por auto-imunidade (o sistema imune ataca a glândula), e/ou formação de cistos ou nódulos que diminuem sua capacidade de produção e armazenamento de hormônio. A tireoidite de Hashimoto é um exemplo doença autoimune e que pode ser confirmada pelas dosagens de anticorpos anti-tireoide como a anti-tireoglobulina e a anti-tireoperoxidase.

O tratamento convencional de hipotireoidismo consiste em repor a levotiroxina(T4), ou seja, o médico substitui a glândula repondo um de seus hormônios. O acompanhamento resume-se em ajustar as doses do T4 para que  o TSH se mantenha dentro dos valores de referência laboratorial.

Pacientes iniciam, geralmente, com uma dose de 25mcg de T4, essas doses podem ser suficientes para retornar o TSH para dentro dos padrões da referência. Contudo, trata-se simplesmente da reposição do hormônio necessário e não tratar a causa do problema. E por isso, grande parte dos pacientes que iniciam o tratamento vão ter suas doses de levotiroxina aumentadas com o tempo.

Doses altas de levotiroxina (maior que 75mcg) podem estar relacionadas com o aumento da produção de T3Reverso (pode-se pedir esse exame laboratorial para confirmar diagnóstico, mas os planos geralmente não cobrem, além de ser caro). O T4 não é o hormônio que tem atividade biológica, ele tem que ser convertido em T3, a triiodotironina que é o hormônio ativo e vai agir no núcleo da célula. O T3Reverso produzido impede a utilização de T3, o que faz com que os sintomas do hipotireoidismo permaneçam mesmo com o TSH normal e doses altas de levotiroxina.

A alimentação inadequada da maioria da população não garante os nutrientes básicos para o funcionamento do corpo, inclusive da tireoide. Faz-se necessária, então, a reposição dos nutrientes que dão suporte às glândulas e ao metabolismo em geral.  Cada pessoa tem necessidades distintas, mas, no geral, vitamina do complexo B, selênio, magnésio, zinco e iodo são bem úteis no tratamento de disfunção da tireoide.

O iodo é fundamental para a saúde da tireoide. Sua subutilização, principalmente devido à intoxicação ambiental por flúor e bromo, estão relacionados a nódulos e cistos, não somente na tireoide, mas também em mamas e ovários.  A deficiência de iodo pode ainda ser identificada em pessoas que não suam, pode ser causa de dores musculares e fibromialgia, e também síndrome de ovário policístico.

As medidas de suporte à tireoide visam garantir as necessidades básicas da glândula e otimizar o metabolismo corporal para preservar sua capacidade funcional. Quando isso não é considerado, é comum a permanência dos sintomas de hipotireoidismo mesmo após o ajuste progressivo das doses de T4.

Além do T4,  a suplementação de vitaminas e minerais podem ser feitas por via oral ou endovenosa, a critério médico.  a L-tirosina, aminoácido precursor do hormônio tireoidiano, e o T3 estão disponíveis para manipulação no Brasil. É possível comprar nos Estados Unidos  Thyroid USP,  é extrato de tireoide e possui as proporções biológicas dos hormônios tireoidianos.  Mas essas medidas estão disponíveis somente a critério médico.

Muito do que sei sobre os distúrbios da tireóide vieram dos médicos americanos dr David Brownstein e o dr Jorge Flechas.

Quem se interessar pelo assunto, pode buscar os livros do dr Brownstein no amazon (em inglês), e, abaixo essa aula do dr Flechas, também em inglês, é imperdível para quem quer estudar hipotireoidismo do ponto de vista da medicina funcional.

http://articles.mercola.com/sites/articles/archive/2013/05/04/iodine-deficiency-affect-childs-brain-function.aspx

Para maiores informações do que é a medicina funcional, sugiro que leia a introdução do meu blog.