Os desequilíbrios hormonais e a obesidade

Posso dizer que minha opinião a respeito dos hormônios evoluiu bastante com a minha prática clínica.

A grande maioria dos sintomas pode ser atribuída a desequilíbrios hormonais se entendermos o papel destas indispensáveis substâncias para o funcionamento do corpo.

São os hormônios que colocam a máquina para funcionar! Todo o metabolismo corporal é regulado através dos eixos endócrinos.  E, sem dúvida, disfunções nas suas glândulas podem promover desequilíbrios em todas as funções orgânicas.  Por isso, é fundamental entender de hormônios para regular a saúde.

Sob o ponto de vista funcional, sempre procuramos as bases dos desequilíbrios.  Sendo assim, o desequilíbrio hormonal é sempre uma consequência e nunca a causa do problema.  Mas, nem por isso, deixamos de tratá-lo.

No caso da obesidade, é importante a avaliação dos seguintes hormônios

  • Insulina: aumenta o acúmulo de gordura.  Por isso, deve-se diminuir o consumo de carboidratos.
  • Cortisol: está elevado cronicamente em situações de estresse (quase todo mundo, hoje em dia),  e combinado com a insulina, é a fórmula para a obesidade.
  • Estrogênio:  está em excesso na mulheres e até em homens devido a dieta rica em soja, uso de cosméticos e intoxicação ambiental. Também atrapalha a queima de gordura.
  • Hormônio da tireóide: é fundamental o bom funcionamento da tireoide para a reações metabólicas  do corpo.

Há muita controvérsia a respeito da mensuração desses hormônios, que podem ser medidos na urina, sangue e saliva.  As referências de normalidade desses exames são bastante amplas e, muitas vezes, os pacientes apresentam queixas com exames normais. Existe uma máxima na medicina que diz que a clinica é soberana, sendo os exames laboratorial e de imagem artifícios complementares. Ou seja, com uma boa história de vida  e exame físico, é  possível estabelecer diagnósticos paramuitos desses desequilíbrios hormonais.  Falarei, especificamente, de cada um desses hormônios, para os mais interessados, nos próximos posts. Mas,  de antemão, já digo que a única forma de equilibrar definitivamente os hormônios é através da correção do estilo de vida:

  • Alimentação rica em fibras, com proteínas e gorduras boas, além de baixo carboidrato (dietas do tipo low carb e paleo, leia aqui) – reduz insulina
  • Atividade física aeróbica diária – reduz insulina e equilibra a produção hormonal
  • Hidratação adequada – somos 70% água, precisamos dela para viver
  • Redução de estresse – Diminui o cortisol, alivia a tireóide

 

Controle o peso com alimentação e suplementação

O sobrepeso e a obesidade são grandes sinais de desequilíbrio do corpo. Não tem conversa. Quer ser saudável por mais tempo e ter qualidade de vida? Téra que emagrecer.  Por ser um assunto bem relevante a todos, esse tema merece muitos posts. Neste primeiro, vou expor minhas observações a respeito do ganho de peso.

Como a Medicina Funcional está preocupada em restaurar o equilíbrio do corpo, independente do problema dos meus pacientes, se estiverem acima do peso, medidas para tratamento da obesidade devem ter prioridade. Os quilinhos extras representam um problema de saúde, embora, até hoje, muitos ainda acreditam que é apenas um problema estético.

Numa consulta funcional para emagrecimento, é apropriado estabelecermos a história da obesidade do paciente. Meus recursos terapêuticos mudam a cada caso, mas, algumas dicas gerais podem ser feitas:

  • Reduza os carboidratos. Veja o post sobre alimentação. Tenho observado a redução de até 4kg em um mês para os pacientes que retiraram trigo e industrializados da dieta.
  • Redução da quantidade de calorias pode funcionar nas 3 primeiras semanas,  que é o tempo para que o corpo se adapte à dieta.  Dietas de baixa calorias são torturantes e quem faz vive em um eterno efeito sanfona. Fuja dos produtos light, diet e adoçante;  tudo isso é  industrializado. Para perder peso de modo definitivo, é preciso fazer reeducação alimentar.

Essas duas medidas alimentares ajudam a restaurar o equilíbrio do corpo e, por isso, podem ser feitas em qualquer ocasião.  No entanto, muitas vezes, somente elas não são suficientes.  Então, temos que encontrar medidas mais específicas.

Será que há cravings Cravings é o termo, em inglês, para uma vontade incontrolável de comer certos tipos de alimentos. O craving por doce é o mais comum entre as mulheres.

Um bom recurso para o controle do craving por doces é o uso do cromo, que auxilia no metabolismo do açúcare na redução do apetite pela substância. Suplementos de cromo já estão disponíveis sem prescrição médica nas farmácias e lojas de suplemento no país.

Fora do país,  é possível comprar o 5-HTP, um aminoácido precursor da serotonina que controla a ansiedade e o craving.  Aliás, falarei mais sobre o 5-HTP quando for falar de depressão, já que o défcit de serotonina está envolvido nessa doença.

A suplementação de micronutrientes,  muito utilizadas pela medicina ortomolecular, econtribui para estabelecer equilíbrio corporal no nível bioquímico.

Nos meus primeiros meses com a prática ortomolecular, pude observar que a simples reposição de vitaminas do complexo B, como a niacinamida, a piridoxina e riboflavina, associadas ao magnésio e selênio, já promoviam melhoras significativas no  trânsito intestinal,  diminuíam  edemas e peso e melhoravam disposição e até dores estranhas, sobre as quais eu, com o pensamento então alopático,  não conseguia fazer qualquer associação.

É importante deixar claro que, assim como qualquer outro sintoma, o acúmulo de gordura representa um desequilíbrio do corpo. O pensamento alopático de tomar remédios controlados  para emagrecer, como a sibutramina e a fluoxetina, não corrigem os desequilíbrios e, portanto, não são a primeira escolha da medicina funcional.

No próximo post, falarei da influência dos hormônios no emagrecimento.