Medicina Integrativa na visão de Clínica de Longevidade

A compartimentalização do conhecimento necessária para avanço tecnológico visto nas últimas décadas, em contrapartida, fez com que a medicina se tornasse cada vez mais técnica e distante do seu propósito primordial: a manutenção do bem-estar humano.

Definimos a verdade a partir de análises estatísticas e estabelecemos protocolos de condutas sem a empatia e sabedoria necessária para discernir como as evidências médicas dos artigos científicos devem ser aplicadas ao ser humano que está diante de nós.

Buscamos o diagnóstico de lesões nas estruturas orgânicas e alterações metabólicas definidas por exames de imagem e laboratoriais, para então aplicar a terapêutica farmacológica, com sua ação inibitória das reações químicas do corpo e efeitos colaterais sem considerar as causas e circunstâncias que levam o paciente a expressar um sintoma.  Este é um exemplo do senso comum da forma de tratar a qual denominamos medicina convencional.

A experiência do sistema médico convencional descrito acima, quando totalmente distanciado do bem-estar do paciente, configura-se um desrespeito à vida humana natural, desde seu nascimento até a morte. Atribuo à este sistema que prioriza condutas sintomáticas àquelas preventivas e educativas, a responsabilidade pela a alta prevalência de doenças crônico-degenerativas e a deterioração progressiva da qualidade de vida do envelhecer ao morrer.

Esta experiência é desastrosa do ponto de vista não apenas social como financeiro, gerando uma alta dependências da população por serviços médicos especializados, elevando o custo tanto para o Estado, quanto para o setor privado e usuários.

Neste contexto surge a Medicina Integrativa, conceituada como:

A prática da medicina que reafirma a importância da relação entre o paciente e o profissional de saúde, é focada na pessoa como em seu todo, é informada por evidências e faz uso de todas as abordagens terapêuticas adequadas, profissionais de saúde e disciplinas para obter o melhor da saúde e da cura. (health and healing)

Definição do Consórcio de Centros Acadêmicos de Saúde Norte americana para Medicina Integrativa

A Medicina Integrativa é um movimento para nos relembrar o verdadeiro propósito do que é e sempre foi a medicina. Qualquer médico que vá além da técnica, respeitando o papel das evidências científicas como conteúdo relevante em sua prática clínica, informando ao paciente todas as opções terapêuticas que ele conhece e seus níveis de evidência, com seus riscos e benefícios, e, acima de tudo, respeitando a autonomia do paciente sobre suas escolhas e crenças, está praticando medicina integrativa.

Resgatar a autonomia do paciente sobre sua saúde nos levará de volta ao momento na história em que paramos de evoluir de forma sustentável, como indivíduos e sociedade.

Para esta evolução social, esta é a hora de integrar todo o conhecimento que desenvolvemos no último século. Integrar o conhecimento entre as diversas especialidades médicas que surgiram, bem como a própria medicina com ciências de base.

E, sobretudo, integrar o paciente no seu próprio processo terapêutico para que, com conhecimento, exerça a sua autônoma plena torne-se responsável pelas suas escolhas.

Quando alcançarmos esse nível de integração, estaremos mais próximos de documentar curas para os as doenças que hoje prevalecem na humanidade.

Texto produzido a partir da minha visão de Clínica de Longevidade e análise crítica do Capítulo I do Manual de Especialização da Pós-Graduação em Bases de Saúde Integrativa e bem-estar. Hospital Israelita Albert Einstein.

Dra Suellen é médica e pesquisadora de referências em saúde e práticas integrativas para a manutenção sustentável do bem-estar humano
Conheça mais informações sobre seu trabalho através do site.

Vegetarianos e jovens com Vitamina B12 baixa e Homocisteína aumentada. O que fazer?

A dosagem da Homocisteína está incluída nos Exames de Sangue nível 1 de Clínica de Longevidade. Por ser mensurada de rotina na minha Clínica, acabo encontrando a homocisteína aumentada em pessoas jovens e saudáveis.

A homocisteína  aumentada ou Hiper-homocisteinemia é um fator de risco para doença cardiovascular, daí a sua importância clínica e motivo dela estar presente como marcador de monitoramento de saúde de Clínica de Longevidade.

Se você é saudável e encontra a homocisteína aumentada, é um sinal para você estar atento à sua alimentação.  É importante mensurar a Vitamina B12 e Ácido fólico também, pois a deficiência dessas vitaminas do complexo B  pode ser a causa da homocisteína aumentada.

A suplementação de vitamina B12, ácido fólico e vitamina B6 são úteis para auxiliar na redução da homocisteína. Mesmo quando tais vitaminas estão nos níveis considerados normais, a reposição das vitaminas em doses ajustadas por um monitoramento mensal frequentemente é suficiente para a melhora do exame laboratorial.

Embora útil como teste terapêutico,  a reposição por suplementos,  quase sempre útil para restaurar rapidamente os níveis da vitamina deficiente, não deve ser considerada uma opção de uso para toda a vida.

Em Clínica de Longevidade, para a prática de uma medicina sustentável, apenas alimentos devem ser utilizados por toda a vida para a manutenção do corpo humano e referências bioquímicas.

Vitaminas sintéticas em cápsulas não substituem alimentos.  

A deficiência de vitamina b12 é maior em vegetarianos.  Contudo, em minha experiência clínica, vejo pacientes com mais de 20 anos de vegetarianismo e vitamina B12 normal.

Vegetarianos não comem todos as mesmas coisas, há varias opções alimentares que não inclui derivados de animais, dessa forma aqueles que não são deficientes em Vitamina B12 devem estar comendo coisas diferentes…

Uma fonte rica de Vitamina B12 é a alga Nori (1). 4 folhas é suficiente para alcançar a dose recomendada diária (100g alga desidratada = 77,6mcg B12)

Adicionalmente, eu intuo, embora não haja muitas evidências científicas a respeito, de que o consumo de alimentos crús, germinados, fermentados podem manter níveis próprios de B12 em pessoas vegetarianas.

O que reforça está possibilidade é a descoberta de bactérias probióticas do gênero Lactobacilos que são capazes de sintetizar vitamina B12.  Estas bactérias, Lactobacillus rossiae, já foram isoladas em fermento de levedura, na variedade de grão espelta ou trigo-vermelho, no abacaxi e também no intestino humano e outros animais.  (2)  Portanto, a utilização desses alimentos pode ser uma fonte de probióticos capazes de sintetizar vitamina B12.

O importante em Clínica de Longevidade é pesquisar mais referências alimentares e seu processamento para consumo ao invés de se contentar em repor vitamina B12 para o resto da vida.

Como hipócrates já dizia, faça do alimento o ser remédio.

Se você se interessou em conhecer mais sobre os Exames Laboratoriais Nível I de Clínica de Longevidade e quais referências de saúde eles podem lhe informar,  mande um e-mail para euquero@clinicadelongevidade.com.br

 

Referências:

  1. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4042564/

Nutrients. 2014 May; 6(5): 1861–1873.

Vitamin B12-Containing Plant Food Sources for Vegetarians

  1. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4180280/

PLoS One. 2014; 9(9): e107232.

Lactobacillus rossiae, a Vitamin B12 Producer, Represents a Metabolically Versatile Species within the Genus Lactobacillus