A arte de não julgar

Um dia desses eu estava conversando com uma pessoa muito querida sobre as aparências. Como todos nós julgamos e estabelecemos nosso nível de relacionamentos tendo como referência a posição social.

E a pessoa me disse:

– Mas eu trato todas as pessoas de forma respeitosa e igualitária.

Foi quando eu retruquei:

– Não estou me referindo a como você trata as pessoas, e sim ao que você pensa delas e aos critérios utilizados para estabelecer os níveis de relacionamento.

No post anterior, falei, entre outras coisas, sobre a origem do conteúdo dos pensamentos.  Pensar ou não pensar diante de uma situação é o que diferencia o nível da impulsividade do nível do julgamento. A maioria de nós, seres humanos, passa a vida oscilando entre esses dois níveis de consciência que vão definir (e limitar) as nossas possibilidades de escolhas do dia-a-dia.

Por séculos, as regras de conduta estabelecidas pelas religiões e tradições mantiveram a ordem entre os indivíduos de uma sociedade. Contudo, ainda no século XIX,  filósofos, como o francês Emilie Durkheim, já estavam preocupados em como manter a integridade e coerência das sociedades em uma Era moderna (nós, atualmente), em que as religiões e tradições perderiam suas forças.

Durkheim foi um dos pioneiros da sociologia e quem cunhou o termo consciente coletivo, por ele definido como o ‘conjunto das crenças e dos sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade’.

O consciente coletivo, do qual fazem parte os valores morais, somados às nossas experiências individuais, são as informações inconscientes responsáveis pela formulação de um pensamento, no nível do julgamento ou da própria atitude,  ao nível da impulsividade.

Na verdade, não há muita diferença entre esses dois níveis, já que tanto o pensamento quanto a ação são referenciadas pelos mesmos padrões inconscientes. Contudo, estamos mais propensos a errar (entende-se por errar aquela atitude contraditória ao senso comum) quando agimos sob o nível da impulsividade, o que ocorre com facilidade quando experienciamos uma emoção negativa.

A essência desse conhecimento já foi extensivamente estudada e utilizada para os mais diversos fins. Edward Bernays, pioneiro das relações públicas e propaganda disse:

“Se entendermos os mecanismos e motivação da mente grupal, seria possível controlar as massas de acordo com a nossa vontade sem que elas saibam? as práticas recentes de propaganda mostra que isso é possível …”

A compreensão desses mecanismos de funcionamento da mente podem ir mais além do que sua principal função atual: a exploração egoísta do ser humano.  Para mim, o estudo da mente e emoções me trouxe a um outro nível de compreensão do que é a vida e me motivou a explorar os processos inconscientes que ditam não só as minhas emoções e pensamentos, mas também a integridade do meu corpo físico.

Por isso, auto-cura e auto-conhecimento, dois termos tão mal compreendidos, relacionam-se mutuamente. Trazer ao conhecimento os processos inconscientes que originam nossos pensamentos, emoções e atitudes evitam a repetição de padrões deletérios que, em última grau, serão responsáveis pelo adoecimento do corpo.

Esse estado de observação de si é o terceiro nível de consciência que descreverei: o nível da auto-observação.

Quando estamos nesse nível, há uma certeza de que você é algo a mais do que seus pensamentos.  Você começa a querer entender por que está pensando de uma forma ou de outra.  Observa também as emoções. Mas sem nomeá-las, pois atribuir significado às coisas é função da mente. Emoção apenas é sentida.

Embora o senso comum seja uma grande referência para nossas atitudes, o nosso imaginário é uma terra sem lei. Não há ninguém além de nós mesmos para regular o conteudo dos nossos pensamentos.  A auto-observação dos pensamentos, das emoções e das funções do corpo físico é o objetivo de quem acessou este nível de consciência. Este é o ponto de partida para a verdadeira manutenção da saúde e auto-cura.

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