É possivel integrar medicina e espiritualidade?

Sabedoria é o que define a nossa espécie, Homo sapiens, embora a ilusão da separação é tamanha que muitos de nós tenha esquecido que antes de ser pai, filho, engenheiro, pedreiro, preto, índio ou branco, somos todos seres humanos, pertencentes à mesma espécie.

Desde nova, sempre fui curiosa. Intuitivamente queria aprender a meditar, mas eu não conseguia entender o que isso significava,  típico da nossa mente, querer atribuir significado não só à tudo que observamos, mas também ao que sentimos e inclusive ao que somos.

Há quem diga que é baboseira filosofar e meditar sobre o sentido da vida em um mundo cheio de guerras, violência, doenças incuráveis e sobretudo, contas a pagar.
Eu acredito que a falta de interesse nesse conhecimento foi o que trouxe nossa espécie à beira da extinção.

Trágico? Radical?  Depende do ponto de vista.
Trágico para nós, doentes, que matamos uns aos outros, sentimos raiva e não olhamos para mais nada além do nosso umbigo. Porque, para o planeta e demais habitantes, nossa extinção seria um alívio!

O senso comum está adoecido pelo egoísmo. Uma doença contagiosa que nos faz afastar da nossa trajetória, que nos leva ao julgamento e desrespeito a tudo aquilo que nos é contraditório.

Percebi, pela auto-observação, que erro sempre quando não estou consciente. A minha ignorância facilita a repetição de padrões aprendidos principalmente na infância. Como a sociedade e suas instituições estão falidas, é difícil aprender coisas saudáveis para sermos, ao menos, seres ignorantes, porém sustentáveis e em harmonia com o planeta e demais espécies.

Estar consciente ou desperto é o inicio do caminho espiritual.  Nos meus primeiros insights do despertar, eu pensava:
Nossa! É isso!
Mas alguns meses depois, eu via que aquilo que eu tinha realizado não era nada diante da nova percepção que adquiri.

Hoje já tenho humildade suficiente para compreender que o que acredito ser verdade está em constante mudança. E que minha percepção vai se ampliando com o meu progresso.  Sempre serei uma ignorante diante do desconhecido. A saúde do meu corpo físico e das minhas relações interpessoais são as referências da certeza pelo caminho.

Essa evolução é uma escada sem fim, cada degrau avançado rumo ao auto conhecimento representa uma vitória contra os velhos hábitos.
Para a maioria, é necessário o adoecimento. O sofrimento, em alguns casos, serve para nos ajudar a enxergar aquilo que não conseguimos ver.

Contudo, mesmo sabendo o que tem que ser feito, nosso egoísmo insiste em querer uma fuga da realidade. Em voltar a dormir, em sermos inconscientes. Não queremos assumir a responsabilidade de estar consciente. Preferimos o diazepam! e todos os outros medicamentos que bloqueiam uma atividade fisiológica que nos distanciam da cura.

Podemos dizer: Eu não aguento mais fulano, não aguento mais o trabalho, não aguento mais essa doença,  não aguento mais a vida.
Quanto sofrimento!

Nessa luta o mais comum é encontrarmos as válvulas de escape.  Algumas delas são  socialmente aceitas:  Trabalho, hobbies, esporte, internet, relações interpessoais ou até religiões podem ser usados nesse sentido.
Já outras, ninguém tolera: drogas, prostituição, traições…
Tudo é prejudicial quando o que queremos é uma fuga de nós mesmos, um alívio para o sofrimento da realidade.

Alguns entram em depressão ou até enlouquecem.

Mas poucos são aqueles que compreendem que são responsáveis pelo que sentem e querem encarar a vida de frente. Tais pessoas que, por sorte, destino ou sábio uso da religião,  descobrirem que as causas externas são uma ilusão, mergulharão nas profundezas do próprio ser em busca de autoconhecimento, onde encontraram abrigo. Um lugar de paz e felicidade dentro da gente.

A arte da vida está em subir esses degraus que nos leva ao abrigo. Conhecermos a nós mesmos. Os fenômenos conscientes são apenas a ponta do icebergue, o que nos é inconsciente que deve vir à tona. Trazer luz à sombra. Enxergar o dia-a-dia com essa perspectiva é o palco da vida para aprendermos e evoluirmos! Isso torna nossa passagem cheia de descobertas e motivação.

Quanto mais inconsciente somos, mais somos influenciados pelas reações alheias. Sentimos as emoções negativas de raiva, apego, medo ou tristeza, por exemplo. Quando começamos a despertar, ao invés de agirmos baseados nesses sentimentos e criarmos mais problemas nas nossas vidas, começamos a nos observar e buscar a compreensão interna para sentirmos essas emoções, buscar aquilo que nos está inconsciente.

Você não pode culpar ninguém além de você mesmo pelas emoções que sente.

Essas foram as primeiras lições que aprendi com yoga e meditação.
Descobri que Yoga vai muito mais além de aulas de alongamento, força, equilíbrio e respiração na academia.

Hoje aprendi que não importa muito qual a técnica, se vem do ocidente ou do oriente, se é religioso ou esotérico, pois não pode existir mais que uma só verdade. Essa verdade ou, a essência do conhecimento, vai além da linguagem escrita e falada, inclusive vai além do próprio pensamento.

A evolução da nossa espécie se confunde com a nossa própria evolução individual. Nos últimos 70 anos estamos, inconscientemente, decaindo com rapidez. O reflexo da nossa direção errada é o adoecimento. Não precisa estudar medicina pra constatar isso.  Aprendi na faculdade que diabetes e hipertensão surgiam depois dos 40 anos, o que vejo é gente de 30 já com esse problema! A prevalência de câncer e doenças auto-imunes aumentou. As crianças estão alérgicas.

Embora eu não siga nenhuma religião dessas tradicionais, estudei várias delas para entender que, em essência, são todas iguais. Adoro fazer analogias e já que nós somos, ao menos por tradição, cristãos, me pergunto:  Diante do fato da maioria das pessoas morrerem sedadas em leitos de hospitais, como o doente pode, na hora da morte, se arrepender de coração dos seus pecados em vida e garantir o paraíso eterno se lhes foram cerceados o direito a consciência do morrer?
Sob o ponto de vista da religião vigente, o materialismo capitalista científico, corro o risco de ser  taxada de médica herege! Sob pena de ir para a inquisição por tamanha blasfêmia em ousar  misturar medicina com espiritualidade! Estamos num mundo em que médicos foram treinados para serem prescritores das indústrias farmacêuticas ao invés de filósofos científicos a serviço da humanidade.

Ironias a parte, embora as Ciências de Base já estão mudando o olhar em relação ao mundo, as evidencias científicas médicas ainda não entendem porque acupuntura funciona  e muito menos admitem a existência da alma. As religiões e ditos populares ao menos dão respaldo às minhas observações e são mais humildes em aceitar nossa ignorância diante dos mecanismos da vida. Por aqui, quando não compreendemos algo, dizemos que Deus escreve certo por linhas tortas.

Quero ouvir sua opinião! Se você se identificou com o que eu escrevi, siga o blog, compartilhe a idéia! Bem provável que goste também do meu último post, sobre respiração consciente. Desenvolvê-la é o início dessa jornada. 🙂

6 comentários sobre “É possivel integrar medicina e espiritualidade?

  1. Sim, é verdade! Só aprendemos a estar “conscientes” quando encontramos o caminho através da meditação. Eu procurei durante muito tempo alguma coisa que falasse fundo em meu coração e achei! Minha vida mudou completamente depois de achar os ensinamentos de Paramahansa Yogananda e sou muito grata!
    Obrigada!

    • Obrigada pelo seu comentário Mábile. Minha busca começou quando terminei a faculdade e resolvi pesquisar a fundo o ser humano para entender os motivos do adoecimento. Em certa altura dos estudos, descobri que todas as respostas estavam dentro de mim mesma! Tanto o adoecimento quanto a cura! A medida que todos nós formos nos conscientizando, menos remédios serão necessários. Contudo, a medicina física (e não a energética ou a espiritual) ainda é a melhor opção para grande parte da população. Por isso, quero escrever em todos os níveis.

      Um abraço e força nessa nossa jornada de descobertas e auto-conhecimento.

  2. Oi!
    Hoje quero deixar um recadinho rápido.
    Acompanho seu blog praticamente desde o início, e mergulho na leitura aqui. Você passa ensinamentos maravilhosos.
    Um grande abraço de uma leitora e obrigada!

    • Obrigada Lúryann!! Foi muito bom ler a sua mensagem!
      Que legal que lê desde o início. Então, você pôde notar que eu comecei com uma abordagem bem física, mas fundamental e, finalmente neste último post, criei coragem para escrever sobre tudo o que eu acredito. Que é a união da medicina com espiritualidade.
      Caso tenha algum tema que seja pertinente para você nesse momento da sua vida, me diga! Talvez eu também possa contribuir com o que venho aprendendo 🙂
      Abraço!

  3. Ótimo texto Suellen!

    O que eu ainda não entendi e gostaria da sua opinião é o seguinte: após a manifestação da doença até que ponto a mente pode curar? Qualquer coisa ou temos doenças que somente com remédios e outros tratamentos?

    Estive pensando que talvez dependesse do amadurecimento espiritual de cada pessoa, e quanto mais espiritualizada, mais ela conseguiria cura. Porém eu sei que Steve Jobs foi acima de tudo um dos maiores filósofos e não conseguiu extinguir o próprio câncer depois de 9 meses de tentativa.

    Qual o limite da cura espontânea?
    Excelente blog! Depois transforme-o em .com.br para que ajude a aparecer nos primeiros lugares do Google.

    Abraço

    • Ola Henrique!! Excelente pergunta. Obrigada.
      Ela é tão importante que escreverei melhor sobre ela num próximo post.
      Mas, eu acredito que não há limite para a cura espontânea. Do mesmo jeito que milagres existem 🙂 Contudo, isso não é um processo voluntário. Não é com a nossa vontade ou a mente falando “eu quero” que vamos obter resultados. No nosso nível de compreensão da realidade, julgamos as coisas como certo e errado. As pessoas mais espiritualizadas também adoecem. E faz parte do desafio e aprendizado para a própria evolução delas. Li em um livro de ayurveda, a medicina tradicional indiana que, até o momento, para mim, é o sistema de raciocinio médico mais completo que a humanidade já desenvolveu, que, quanto mais vamos progredindo no caminho espiritual, menos efeito farão as terapias físicas.

      É preciso mais gente, médicos e terapeutas não-medicos, com essa compreensão do adoecimento, estudando a natureza humana para que consigamos manter nosso corpo físico saudável com a evolução da consciência.

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