Você presta atenção nas suas fezes?

Só de pensar no assunto, muitos já sentem até repulsa, não é?

As fezes são tão incompreendidas que preferimos ignorá-las. Só que esse descaso com os nossos resíduos e com o próprio ato de defecar faz com que percamos um excelente parâmetro de observação da nossa saúde.

Para mantermos a saúde em dia, precisamos aprender a escutar o nosso corpo. Ele sempre vai nos dizer o que está nos fazendo mal. Assim como no post sobre menstruação, as fezes também têm um padrão ideal. O reconhecimento do que é normal e a prioridade de nos aproximarmos cada vez mais dessa referência é o segredo para uma vida longeva e saudável.

Vamos, então, às características básicas de uma evacuação saudável.

– regularidade: é normal evacuarmos no mínimo 1 vez ao dia.

– aspecto: fezes com forma cilíndrica bem definida. Sem odor forte.

– ato de defecar: sem nenhum tipo de desconforto.

As fezes contêm os resíduos da digestão do alimento, bem como das bactérias que colonizam o nosso intestino. São esses dois fatores físicos, a alimentação e a microbiota intestinal, que vão interferir diretamente nas características das fezes.

O ato de se alimentar é bem individualizado. Não existe uma regra que sirva para todos. Contudo, como a maioria das pessoas já se alimenta de forma errada e precisa de uma referência para seguir, o post de alimentação é um ponto de partida.

Se a população de bactérias não está saudável, essa pode, também, ser a causa de disfunções nas fezes. Adivinhe quem é o principal responsável pela alteração da população de bactérias intestinais?

Os antibióticos! Eles não matam só as bactérias que estão causando as infecções, mas também desequilibram toda a microbiota intestinal. Isso leva a repercussões não somente no intestino mas em todo o organismo.

A frequência da evacuação não apenas depende de fatores físicos; há quem fique constipado sob estresse. Há pessoas que mantém alimentação de rotina mas param de evacuar quando não têm o dinheiro para pagar as contas, por exemplo. Daí, a importância da observação constante do nosso corpo para entendermos quais os fatores que mais influenciam no nosso corpo.

Até meados do século XIX, a principal posição para evacuar era de cócoras. Com a revolução industrial, a privada tornou-se popular na Inglaterra e países do Commonwealth. Mais uma vez inventamos formas que consideramos mais práticas, mas que desrespeitam a fisiologia humana. Conforme a ilustração abaixo, a posição de cócoras mantém as estruturas da região final do intestino alinhada para facilitar a evacuação, algo que não ocorre quando estamos sentados.

sitting vs squatting

 

Essa alteração mecânica pode ser a responsável básica de muitos problemas localizados na região abdominal o que inclui:

Constipação
Hemorroidas
Fissuras e fistulas anais
Plicomas (pequenas protuberância de pele ao redor do anus)
Prolapso anal (quando o revestimento interno do anus exterioriza)
Divertículos
Apendicite
Câncer de intestino
Até hérnia de hiato e refluxo (problemas do estômago)
Disfunções prostáticas, sexuais e ginecológicas.
Este estudo abaixo mostra a cura de hemorroidas e prolapsos retais em pessoas que passaram a evacuar de cócoras.

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A Apendicite

Uma curiosidade a respeito da apendicite é que esta doença foi descrita pela primeira vez em 1886, justamente após a popularização do vaso sanitário, permanecendo de baixa incidência em países mais pobres onde ainda é alta a prevalência da posição de cócoras. A hipótese é de que a posição de cócoras exerce uma tensão na parede abdominal importante para a eliminação completa do conteúdo fecal. As fezes paradas no intestino podem facilitar o surgimento da apendicite e câncer de intestino. Quem tiver mais interesse, este site (em inglês) explica a biomecânica que influencia na origem das doenças aqui apenas citadas.

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Outro péssimo hábito que algumas pessoas possuem é o relaxamento forçado do esfíncter anal. Isto é, quando vamos evacuar sem aquela vontade e ai forçamos para as fezes saírem. Isso, com o tempo, pode contribuir para o surgimento das doenças relacionadas.

Conheça o seu esfíncter. O esfíncter anal é o músculo em anel que “aperta” o anus. O grau de contração do esfíncter estabelece o tônus dessa musculatura. O tônus muscular pode ser influenciado por emoções, o que vai interferir com todo ato da defecação.

Quando eu falo em alteração no tônus do esfíncter, no início do quadro, essas alterações podem ser controladas conscientemente, assim como todo ato de defecar. Dê importância e atenção ao seu corpo.

Então, as regras básicas para fazer cocô:

-observe-se, reconheça os seus padrões. Sempre avalie sua alimentação e estado emocional.

– escolha um horário do dia e habitue-se a evacuar sempre naquela hora. Se for possível de manhã, melhor ainda. É tudo uma questão de, aos poucos, retomar o controle do corpo.

– a melhor posição, sem dúvidas, é agachada. Resta saber como fazer isso. Subir no vaso é perigoso. Você pode retornar ao penico da vovó. Vai depender da prioridade de cada um e do quanto isso pareceu sensato. Algo que ameniza, mas não substitui a posição de cócoras, é elevar os pé num banquinho, aproximando as coxas ao abdome, enquanto sentado na privada.

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Valorizo muito as tradições, pois elas indicam o que funcionou para o homem ao longo do seu desenvolvimento. Uma orientação da Medicina Ayurvedica (medicina milenar indiana) é travar os dentes na hora da evacuação e do urinar. Segundo eles, previne a queda de dentes.

Algumas técnicas provenientes da Medicina Ayurvedica podem parecer estranhas na nossa cultura. Como o auto-toque retal e enema. Contudo, são capazes de ajudar bastante quem tem dificuldade de regular o intestino.

Quem tiver interesse nessas técnicas, peço que me contacte por email ou siga o blog para posts futuros

 

Receitas caseiras:

Suco de cenoura com maçã para regular o intestino.

Auto-toque retal e enema (em breve post sobre o tema, siga o blog)

Alimentos fermentados (em breve)

Um comentário sobre “Você presta atenção nas suas fezes?

  1. Gostei de mais da matéria…nunca tive problemas para evacuar, mas depois de ter feito uma cirurgia de retirada de hemorróidas já com trombos a quase quatro meses, não consigo evacuar sem dor ou sem ajuda de duchas,lactantes ou os dedos… estou muito triste com isso…meu médico diz que vai melhorar, mas quando

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